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22 de Fevereiro de 2020

Por que cobramos pela cópia no Jusbrasil

Rafael Costa, Advogado
Publicado por Rafael Costa
há 3 meses

Olá Jusbrasileiro, tudo bem?

Essa é uma carta que estou enviando a todos que, de forma justa e bastante compreensível, questionaram o aumento recente da assinatura Jus. Achei por bem publicá-la aqui também.

É uma resposta geral, mas fico à disposição para seguirmos dialogando individualmente, caso respondam em meu email: [email protected] — leve o tempo que for, responderei a cada um.

O objetivo é lhe agradecer por utilizar o Jusbrasil e mostrar por que cobramos o que cobramos e o que estamos fazendo com o seu dinheiro.

Como ficou longa, pois quis passar, no detalhe, o que acontece no Jus, já adianto aqui, para não perder a oportunidade de lhe dizer:

Muito obrigado, de coração.

O Jusbrasil está vivendo um momento mágico e preparando coisas mágicas. Quem possibilita tudo isso é você.

Pois bem, queria lhe contar essa história sobre por que cobramos pelas cópias no Jusbrasil. É o que segue abaixo.


O Jus nasce em 2008, quando começamos a desenvolvê-lo já depois de 2–3 anos nos degladiando com o desenvolvimento de um buscador de assuntos gerais (como o Google) que havíamos começado em 2005. Foi nesse período pré-Jus que aprendemos com profundidade sobre Recuperação da Informação (Information Retrieval), que é a ciência que estuda sobre como fazer buscadores.

Foram, portanto, quase três anos, de muita intensidade, somente para começarmos a pensar no Jusbrasil. Meu primeiro salário, assim como o dos meus sócios @danielmurta, @rodrigo e @lppinho, só aconteceria uns 5 anos depois. [Como empreendedor, você é sempre o último e assim deve ser.]

(Nessa foto encontra-se todo o Jusbrasil em seus primeiros dias em 2008, na Universidade Jorge Amado, onde conseguimos essa sala gratuitamente através do professor Grinaldo Lopes e da benevolência da diretoria da universidade — eterno agradecimento, Grinaldo 👊. Não aparecem @danielmurta, cujo computador está à minha frente e @lppinho, que já era sócio e se juntaria ao time logo depois. Estão também @rodrigo, também sócio-fundador, @gustavomaia e @tupy, engenheiros fundadores e @luizazevedo, nosso primeiro “engenheiro jurídico”, quando nem imaginávamos que essa profissão viria a existir)

E o que existia antes do Jusbrasil?

Mais de 70 sites de tribunais com suas diferentes funcionalidades e dificuldades para a pesquisa de jurisprudência. Alternativamente, você podia adquirir um login das empresas que dominavam a pesquisa jurídica à época, ao custo de 3 a 5 mil reais por mês.

E o que fez o Jus?

Disruptou essas empresas.

Ao longo de alguns anos de trabalho (2008 a 2010), unificou parte dessas bases numa pesquisa única, mais simples, e gratuita. Nos anos seguintes, adicionaríamos outras funcionalidades de pesquisa, como a de Diários Oficiais, Legislação, Artigos, Notícias e Modelos, etc.

(Interface de 2010)

O produto teve rápida adoção, era um claro product market fit, mas sem um modelo de monetização compatível. Por isso travaríamos ainda uma intensa luta para sobreviver até meados de 2017, procurando um modelo de negócios que permitisse a continuidade da empresa e que não impactasse a nossa maior motivação: prover o acesso livre à informação.

Encontrar esse modelo era uma tarefa bem difícil, tendo em vista que esse propósito de livre acesso à informação nos impedia de cobrar pela nossa principal proposta de valor, que sempre foi a pesquisa jurídica.

Nada nos deixava mais motivados do que ver o número de visitantes crescendo. Restringir o acesso à informação significaria reduzir a nossa motivação. [Falta de dinheiro dói, muito, mas falta de propósito é ainda mais difícil de tolerar.]

Lembro perfeitamente do dia dos namorados em 2008, quando saímos para brindar, radiantes, porque atingimos, pela primeira vez, mais de 500 visitas em um dia! Era uma grande conquista para quem vinha de 3 anos sem conseguir ter pessoas efetivamente utilizando o seu trabalho.

Hoje, são mais de 2 milhões de visitas por dia e quase 30 milhões de pessoas diferentes no mês — temos o orgulho de ser o site jurídico #1 do mundo.

Ok, sensacional, esse é precisamente o tipo de coisa que ajuda a segurar as pancadas do caminho. Nada mais incrível do que saber que, se não fosse o trabalho que ajuda a desenvolver, milhões de pessoas estariam sem acesso a informação de primeiríssima necessidade. Estamos falando de informação que faz a justiça acontecer, que cria a consciência de direitos e deveres e que toca necessidades básicas das pessoas.

Mas tráfego de site dá dinheiro?

De forma direta e simples: não!

Mas dá custo, e muito.

Vínhamos nós, então, crescendo muito bem o nosso tráfego, o nosso impacto e os nossos custos! Mas sem conseguir crescer a nossa receita na mesma proporção, por isso operando no vermelho.

Quase uma década sem receber salário foi o mínimo que essa ambição de impacto social nos trouxe.

Essa é aquela parte do empreendedorismo que ninguém consegue descrever. É quando você mal dorme, por anos, não por dias, é quando você começa a ter crises de pânico e medos que nunca pensou que teria (medo de altura, medo de elevador, medo de público e basicamente de qualquer coisa que eleve minimamente a sua ansiedade, que já está em níveis insuportáveis, à espera de qualquer gatilho para colocar sua cabeça em loop). É quando você não aguenta mais a humilhação de viver às custas dos seus pais enquanto observa que a maioria à sua volta está ou genuinamente preocupada com o seu futuro (aqueles que te apoiam) ou desdenhando da sua incompetência de colocar tanto esforço em algo — todo o seu esforço! — e não conseguir gerar receita sequer para se pagar.

O impacto que estávamos gerando era o que nos segurava, mas uma das memórias mais fortes que tenho dessa época é a de uma madrugada que acordei chorando, desesperado, porque não sabia de onde tirar mais dinheiro para pagar a folha no dia seguinte — fora as outras bombas que explodiam [1].

E isso depois de tantos anos colocando tudo de si para fazer aquela empresa acontecer…

E a gente se virava mesmo com tudo o que estava ao nosso alcance.

Olhando para trás, percebo que o desafio não era “somente” o de criar uma startup, mas o de simular um ecossistema inteiro, que não existia, para criar a nossa startup nele.

Estamos falando de uma época quando literalmente não se ouvia, em lugar algum do Brasil, a palavra “startup”… e nós estávamos (e continuamos) em Salvador.

Não existiam incubadoras, aceleradoras, investidores anjo, mentores, capital de risco, computação em nuvem, sistemas de pagamento… As pessoas sequer aceitavam colocar um cartão de crédito na internet.

Não existia uma cultura minimamente pró empreendedorismo e muito menos uma cultura pró startups. Trabalhar em uma empresa como a nossa era claramente um demérito — tinha que ter muita atitude para peitar família, parceiros, amigos, colegas de trabalho e todos que julgavam aquilo ali uma insanidade ou uma brincadeira.

“Simular um ecossistema” é sobre criar uma solução alternativa para cada aspecto que falta no seu ambiente:

  • É sobre o seu capital semente vir de projetos de pesquisa do CNPq e FAPESB — conseguimos uns 600 mil reais com essas duas instituições. Imaginem um estudante de Direito e outros de engenharia civil assinando um projeto de pesquisa de Recuperação da Informação / Ciência da Computação e conseguindo aprová-lo junto ao CNPq, uma das instituições científicas mais rigorosas do país. Pensa no trabalho que isso deu, na fundamentação científica que exigiu. Acadêmicos de carreira, em geral, não conseguem aprovar um projeto desses;
  • É sobre a sua infra-estrutura de servidores só ser viável porque você é o 1o da sua geração a alugar servidores no exterior (nenhum especialista nos sugeriu isso);
  • É sobre os seus talentos / cientistas serem você e seus sócios se formando em um, sentando a bunda para estudar papers científicos e entender fórmulas matemáticas do tipo que nunca passou pela sua cabeça que um dia conseguiria entender. É sobre criar essa cultura de estudo onde ela não existe e fazer um time de estagiários e júniors performar melhor do que o time de grandes empresas. Num extremo desse malabarismo por talentos nos encontramos praticamente acampando ao lado da UFMG [2] (um dos poucos centros de Recuperação da Informação do mundo), onde chegamos a dormir em 13 pessoas num apartamento de 70 m2, que era também o nosso escritório durante o dia. Foi assim que conseguimos aprender com o conhecimento dos mestrandos e doutorandos de lá. Foi também onde encontramos mais loucos, como Fabiano Botelho, à época doutorando em ciência da computação, que aceitou trabalhar praticamente de graça, pelo brilho e obstinação que via em nossos olhos [3];
  • É sobre a sua vantagem para a atração e retenção de talentos ser a melhor cultura de motivação que consegue desenvolver — e nisso nos tornamos referência -, pois jamais poderá competir com dinheiro, escritório bacana ou perks;
  • É sobre a sua incubadora serem dois professores visionários (ou loucos), que se disponibilizam a ajudar como podem. Grinaldo nos arranja a sala da Universidade Jorge Amado, a da foto acima, nos poupando dos custos de aluguel, internet, luz, mesas e cadeiras. Nivaldo foi quem nos carregou debaixo do braço, apresentando-nos Grinaldo e também Thomas Buck e João Rocha, que peneiraram e incentivaram os melhores talentos das suas turmas para estagiarem conosco;
  • É sobre os seus mentores serem a internet, os livros e artigos de expoentes do mundo, de quem consumíamos tudo o que encontrávamos. Nessa época eu mal conseguia ler em inglês e demorava 40 minutos para ler uma única página, olhando todas as palavras no dicionário ...
  •  ...e assim íamos suprindo o “gap” de estarmos num local completamente desconectado do ecossistema de tecnologia do mundo.

Em resumo, tudo havia de ser feito na unha, do zero, incluindo boa parte da nossa própria formação. Éramos mais iniciantes e ingênuos do que nunca — provavelmente a ingenuidade que nos permitiu entrar e continuar, pois se soubéssemos o tamanho do buraco, não teríamos nos enfiando nele, de jeito nenhum.

Sabe aquele papo de que saber a hora de “sair” de um negócio é tão importante quanto saber a hora de entrar? Então… a gente nunca soube, olho para trás e vejo que fomos do tipo de empreendedor que o Marc Andreessen diz procurar: aquele que “never quits”.

Avancemos alguns anos, ali pelos idos de 2012, e continuávamos lá, em nosso estado normal de temperatura e pressão: altamente desesperados e motivados, cabeça em loop num turbilhão de emoções, à beira do colapso, pela enésima vez, sobrevivendo da pouca receita que conseguíamos com os anúncios que Luiz Paulo vendia, apelando a tudo e a todos, em São Paulo. Mas agora com custos tão maiores que seria impossível suportar uma escorregada. Escorregada essa que aconteceria logo mais, quando nos vimos obrigados a assumir mais um custo, que deixou a conta impagável diante da nossa capacidade de cobrir, no máximo, a falta de 5–10 mil reais nas contas de um mês.

Para a nossa sorte, foi em 2012 que chamamos atenção de alguns fundos de venture capital, dentre eles, a Monashees.

Dez meses de negociação e intensa due diligence depois, no limite do limite, nervos à flor da pele, fechamos o nosso primeiro round de investimento, quando a Monashees aportou 5 milhões de reais no caixa do Jusbrasil em troca de 22% da empresa.

Não é um gostinho bom abrir mão de 1/4 da sua empresa, depois de tanto esforço, mas esses caras eram diferentes e validamos isso múltiplas vezes depois.

Para que vinha esse aporte da Monashees?

Basicamente, para encontrarmos um modelo de negócios que deixasse a empresa sustentável, saudável, gerando um caixa que permitisse perseguir o nível mágico de produto que sonhávamos em ter.

E aqui pegamos um caminho que não facilitou em nada a nossa vida. Por não querer restringir o acesso à informação, não víamos uma forma de gerar receita com a nossa principal funcionalidade: a pesquisa por informação.

Publicidade ajudava, mas mal pagava uma conta já extremamente espremida — não tínhamos salários, não pagávamos impostos e todo o nosso time, majoritariamente de estagiários, ganhava bem abaixo do que o mercado lhe oferecia. [Pagamos todo o retroativo de impostos depois.]

O caminho que pegamos foi o de monetizar a conexão entre os usuários “leigos” e os advogados inscritos na plataforma, o que hoje chamamos de Escritório Online Jusbrasil. Como tínhamos uma quantidade enorme de pessoas com problemas jurídicos circulando pelo Jus, assim como grande parte dos advogados, decidimos testar a possibilidade de conectá-los. Começamos os testes e obtivemos alguns bons sinais de que funcionaria.

Parecia perfeito, pois conseguiríamos monetizar sem ferir a missão Jusbrasil de conectar as pessoas à justiça (o acesso à informação sobre direitos e deveres é o primeiro passo nessa direção).

Melhor ainda, avançaríamos mais um degrau na missão, pois, além da barreira de acesso à informação, removeríamos também a barreira de acesso aos advogados, essa que está longe de ser trivial como a maioria dos que frequentam o meio jurídico acredita ser.

E o que dificultou o caminho do Escritório Online?

Para começar, descobrimos que as possibilidades de extrair receita direta do valor gerado por esse produto são altamente limitadas pela OAB. Se já é difícil fazer um marketplace online, imagina um onde ser "mercantil" é crime. [A advocacia é a única profissão do mundo que visa lucro e não é mercantil. Um paradoxo que nem a física quântica explica… já que o lucro é o que define o mercantil.. mas isso é papo para outro papo.]

Além dessas dificuldades de regulação, trata-se de um marketplace de serviços complexos (que não são fáceis de se definir previamente), o que complica bastante a possibilidade de os pagamentos acontecerem por dentro da plataforma, sendo que esse pagamento por dentro facilita bastante a monetização, pois viabiliza a cobrança de uma taxa para a plataforma no momento do pagamento.

Colocamos muito esforço no Escritório Online. O produto continua de pé, tem uma economia saudável e cumpre a sua função de conectar as pessoas com a justiça através dos advogados. De outro lado, é sempre uma grande felicidade ouvir as literalmente milhares de histórias de profissionais que tiveram o seu 1o cliente e depois conseguiram se estabelecer na advocacia através do Jusbrasil.

Mas o fato é que escalar esse marketplace a ponto de a sua receita tornar o Jusbrasil uma empresa auto-sustentável, com recursos suficientes para continuar perseguindo os seus grandes objetivos (que passam longe de ser lucro), exige muito mais recurso do que conseguiríamos obter com nossa própria receita ou com investidores. [Acreditem, ninguém passa pelo que passamos por lucro, não é motivação suficiente.]

Essa conjuntura nos trouxe dois grandes prejuízos:

1) Acabamos nos afastando do nosso do nosso DNA (da nossa vocação), que sempre foi Recuperação da Informação, com isso deixando de desenvolver o nosso maior produto, o de pesquisa de informação;

2) Chegamos novamente a uma situação periclitante de aperto de caixa, que nos fez vender, em janeiro de 2016, mais 14% da empresa, para colocar mais 8 milhões de reais no caixa. [Lembrando que esse dinheiro dos rounds de investimento foi 100% para o caixa da empresa e não para bolso de sócios — tratava-se de grana para continuar de pé.]

Parece muito dinheiro, mas quem lida com tecnologia sabe que 13 milhões de reais (5M em 2013 + 8M em 2016) é muito pouco recurso para o nível de produto que perseguimos, para o nível de concorrência que enfrentamos e para a quantidade enorme de pessoas que servimos por mês.

Acabamos de ver Rappi levantando 1 bilhão de dólares (4 bilhões de reais) para desenvolver seu aplicativo. iFood já passou de dois bilhões de reais em capital levantado. Uma empresa como a Booking.com tem quaisquer 3–5 mil engenheiros da computação bem pagos. A concorrência por profissionais, nesse mercado, é direta com empresas como essas, assim como com “Googles”, “Facebooks”, “Nubanks”, entre literalmente milhões de outra empresas admiráveis, super capitalizadas e com altíssima demanda pelos mesmos profissionais que buscamos. Todos batem de frente uns com os outros na concorrência por talentos, sem qualquer proteção geográfica, em função da globalização trazida pela internet. Ou você tem nível mundial, o que implica em custos de nível mundial também, ou algum player, de qualquer lugar do mundo, ataca o seu time diretamente.

Pois bem, 36% de diluição depois (venda de percentual para investidores), nesses dois rounds de investimento e, como recompensa pelo nosso trabalho, chegamos àquela situação que me fez escrever esse post em meados de 2017: “O Jusbrasil pode acabar em 6 meses? Sim, definitivamente” — os 8 milhões de caixa estavam acabando e nós, mais uma vez, estávamos à beira da morte.

O fato é que não dá para perseguir um sonho desses, de ser a maior e a melhor plataforma de conexão com a justiça do mundo, sem um modelo de negócios compatível com o tamanho do impacto gerado e com o tamanho do propósito perseguido.

Essas pressões nos levaram a uma decisao, em 2017, que mudou o jogo, pois permitiu monetizar a informação diretamente, sem retirar de todos os cidadãos a possibilidade de se informarem livremente sobre direitos e deveres: passamos gradualmente a cobrar pela utilização direta da informação encontrada no Jus.

Toda a pesquisa e leitura continuaram livres, mas, se o usuário desejasse utilizar a informação em seus trabalhos jurídicos, para além de um limite gratuito, deveria então se tornar um assinante.

Não foi nada fácil tomar essa decisão. Medos e ansiedades mil, de ver um produto claramente amado vir a cair no desgosto de quem tanto prezamos e nos matamos para servir: os nossos usuários.

A coragem veio, mais uma vez, de uma questão de sobrevivência. O medo era o de que ninguém ia aceitar, mas então pensamos, “se as pessoas não quiserem pagar, é porque não tem valor e, se não tem valor, o que que estamos fazendo aqui??! Nos enganando?? Vamos ter coragem de encarar a realidade e entender se todo esse esforço é mesmo para, como muitos nos dizem, fazer um produto que não agrega sequer o valor de um almoço por mês”.

E assim foi feito, porque já havíamos ultrapassado todos os limites de malabarismo para sobreviver. Estávamos cansados, esgotados, à beira de perder os nossos talentos (um time super leal, mas tudo tem limite) e sem recursos para se manter e, muito menos, para evoluir.

Hoje, dois anos e meio após essa decisão, caminhamos para 150 mil assinantes e crescendo a taxas compatíveis com todo esse esforço, impacto e missão que o time Jusbrasil tem.

Agora estamos finalmente tendo recursos para construir as evoluções que os nossos usuários precisam; para combater esse brain drain e repatriar os nossos talentos; para fazer, no Brasil, e nas regiões menos favorecidas do Brasil, uma empresa de nível mundial, que disputa talentos com as gigantes do mundo e que vai disputar muito mais — vamos juntar as melhores mentes em torno do acesso e inteligibilidade da informação jurídica e fazer um produto como nunca antes se viu.

Sim, é para isso aí, para a nossa raiz, para o nosso DNA de Recuperação da Informação, que retornamos com força total e podem esperar uma revolução para os próximos anos.

As bases estão sendo montadas nesse momento.

E o responsável disso tudo é você.

Só temos a agradecer pelo voto de confiança de quem veio conosco, de nosso time, de nossos investidores e, principalmente, pelo voto dos nossos assinantes, sem dúvidas o mais importante, no sentido daquilo que falei no post de 2017: o seu dinheiro é o seu voto, é com ele que você influencia diretamente na mudança que quer ver no mundo, apoiando aqueles em cujos ideais acredita.

Por causa desse voto, as coisas mudaram muito por aqui, para melhor.

Mas não estamos nada tranquilos. Estamos frenéticos e mais motivados do que nunca para operar essa transformação do acesso à informação e pesquisa jurídica. O time está chegando a 200 pessoas, atingindo um nível de talentos dos sonhos, tanto por quem chega quanto por quem veio crescendo conosco.

A sensação é a de que é só agora, 11 anos depois, que vai começar. A energia nunca esteve tão alta. Nunca estivemos tão empenhados e, logo logo, vocês perceberão os resultados.

De imediato, estamos entregando algumas melhorias, como um site livre de propagandas (retiramos todas, dando um f…-se para uma receita significativa, em prol da sua experiência). Verão também um Jus muito mais rápido e estável (mais servidores e um time especialmente dedicado a isso). Outro ponto onde devem começar a sentir diferença, logo logo, é na abrangência do conteúdo da pesquisa (muito mais conteúdo está por vir). Acabamos de lançar o acompanhamento de publicações dos diários de justiça (gratuito para advogados!) e de andamentos nos sites dos tribunais, junto com uma ferramenta de gestão de processos pelo menor preço do mercado. Retiramos aquele pop-up que pergunta sobre orientação jurídica de toda a seção de jurisprudência e das páginas de busca (também aqui perdendo receita relevante). Estamos estruturando um time muito mais robusto para atendermos e nos comunicarmos melhor com nossos usuários. Entre outras iniciativas de curto prazo.

Mas essas são somente as entregas mais rápidas. O grosso do tempo dessas 200 pessoas é para construir o Jusbrasil do Futuro e é de dar gosto ver o empenho do time e o que estão planejando para o médio e longo prazo [4].

Estamos preparando um futuro completamente novo.

Como dito no início, o objetivo dessa carta é lhe agradecer e mostrar o uso que estamos dando ao seu dinheiro, para que ele se reverta numa enorme melhora do dia a dia de quem precisa de informação jurídica ou lida com o Direito.

Apesar de todo o esforço que colocamos ao longo desses 11 anos de Jus, as coisas só estão realmente começando a acontecer agora que contamos com esse apoio de vocês.

Você não paga pela cópia, mas por tudo, e nós somos extremamente gratos por isso.

Muito obrigado,

Rafael

 — — — — — 

[1] Esse trecho do livro “The Hard Thing About Hard Things”, citado nesse artigo, mostra como não fomos os únicos sorteados para esse “struggle”.

[2] As portas da UFMG foram abertas pelo professor Edleno Moura, uma das maiores autoridades em Recuperação da Informação no mundo, que hoje temos o prazer de receber como novo integrante do time Jus, junto com o professor Altigran Silva.

[3] Dois anos depois Fabiano recebeu uma proposta da EMC2, empresa do Vale do Silício, para ganhar 125 vezes o que conseguíamos lhe pagar — nós o apoiamos incondicionalmente e a nossa carta de recomendação foi decisiva para que seu visto fosse aprovado nos EUA.

[4] Estamos ativamente procurando conversar com nossos usuários sobre o que querem do Jusbrasil do Futuro e aproveito para pedir mais essa ajuda àqueles que tiverem interesse em compartilhar suas ideias, frustrações e conhecimento conosco, é só nos contatar aqui — essa ajuda tem valor inestimável para nós.

93 Comentários

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A regra é básica: não existe almoço grátis. Para manter uma plataforma magnífica, inovadora e, principalmente, útil para os profissionais do direito o custo não é nada barato. Uma das coisas que mais pago com satisfação é minha assinatura no Jusbrasil. Desejo muito sucesso a todos que fazem a plataforma, vocês enobrecem a prestação jurisdicional nossa de cada dia! Obrigado! continuar lendo

Faço minhas as palavras do amigo jusbrasileiro. O Jusbrasil tornou-se uma ferramenta de trabalho indispensável. Pago com muita satisfação e, sem qualquer diletantismo, pagaria até mais, pois o produto que oferecem, informação técnico-científico-jurídica de altíssima qualidade, tem um valor inestimável. Se pagamos por acesso a plataformas de entretenimento, porque não haveríamos de pagar por uma que nos proporciona um retorno profissional extremamente vantajoso em termos de custo-benefício... não me imagino, hoje em dia, trabalhando sem acesso ao Jusbrasil... faço propaganda mesmo, de tanto que gosto e preciso do site... Vida longa e tudo de bom ao Jusbrasil e a todos que fazem esse time de obstinados. Parabéns pelo sucesso!!! continuar lendo

O melhor site jurídico do Brasil. Parabéns. continuar lendo

Não consigo NEM IMAGINAR como vocês, os fundadores, conseguiram criar tantas maneiras de manter uma MULTIPLATAFORMA como é o JUSBRASIL, durante tanto tempo e investindo tudo que tinham.
E se vocês tivessem desistido?
Vamos imaginar quantos benefícios o JUSBRASIL trouxe a toda a comunidade que só existe porque vocês não desistiram.
Imagine quanto custaria ter acesso pelo menos aos recursos disponibilizados GRATUITAMENTE pelo JUSBRASIL?
Claro, que multiplataformas tem seus custos, pois entregam o que não podemos ter fora dela.
Abraço a todos os Jusbrasileiros!!! continuar lendo

Parabéns Rafael! Não apenas pelo texto, mas pela sinceridade, pelo exemplo e pela persistência! Vocês do site jus Brasil estão verdadeiramente de parabéns por serem tão inovadores e manterem a humildade que sentimos em suas palavras.
Acho que esse é o terreno fértil para ideias revolucionárias. A esse respeito, tenho uma ideia revolucionária para este site revolucionário e gostaria de compartilhar contigo. Se interessar, entra em contato. Um forte abraço, continuar lendo

Rafa, só posso deixar aqui meus parabéns pela trajetória e pela empresa incrível que vocês criaram. continuar lendo