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16 de Dezembro de 2018

PwC: Inteligência Artificial criará mais empregos para advogados

Rafael Costa, Advogado
Publicado por Rafael Costa
há 5 meses

A tão temida inteligência artificial, segundo relatório da PricewaterhouseCoopers (PwC), trará mais benefícios do que perdas para a advocacia: mais trabalho e menos atividades mecânicas e repetitivas.

O estudo vem em ótima hora, já que, cada vez mais, fala-se no Brasil de robôs advogados substituindo os meros mortais.

Pois bem, o estudo aponta para o contrário, como se lê nesse resumo da Artificial Lawyer, de onde extraio as citações abaixo.

"A PwC, portanto, sugere que alguns trabalhos jurídicos experimentarão aumento de 33%, enquanto outros tipos de trabalho diminuirão em 18%, resultando num aumento líquido de 16%".

Chamou minha atenção, no artigo, uma das razões pelas quais apostam nessa ampliação do mercado jurídico, que é a tecla onde bato há algum tempo: retirar barreiras para o acesso à informação e aos advogados amplia e valoriza o mercado da advocacia.

"Um melhor acesso à justiça, através de sistemas automatizados que diminuem barreiras de preço, pode ajudar a atender à gigantesca demanda reprimida que existe quanto a serviços jurídicos. Exemplo: cerca de 70% das PMEs com problemas jurídicos não procura um advogado por receio da imprevisibilidade e dos custos."

Essa é precisamente a hipótese que validamos na pesquisa que citei, dois anos atrás, em artigo sobre o Escritório Online Jusbrasil. Segundo a pesquisa, "44,2% das pessoas conectadas com advogados através da plataforma Jusbrasil reportaram que não acreditavam ser possível contratar um advogado", apontando custos, dificuldade de contato e segurança sobre as habilidades do profissional como as maiores barreiras.

Dessa forma, contrariando o pensamento mais comum e diferentemente da situação de outras profissões, temos o melhor cenário possível para a advocacia, no qual a tecnologia vem para melhorar a sociedade, sem desestabilizar setores específicos: menos trabalhos mecânicos e repetitivos, mais trabalho para os advogados e mais acesso à justiça.

Fica aqui o alerta para que não se dê tiro no pé com regulações apressadas, elaboradas sob o medo do desconhecido.

5 Comentários

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Bom dia querido.

Discordo, e a minha discordância é baseada na questão principal que a pesquisa não aponta, conhecimento do mercado e a imagem que a advocacia possui perante o público consumidor.

Na outra ponta, o que se verá será a vulgarização da advocacia, onde serão contratados tão somente advogados de controle dos procedimentos realizados pelo software.

> Um melhor acesso à justiça, através de sistemas automatizados que diminuem barreiras de preço, pode ajudar a atender à gigantesca demanda reprimida que existe quanto a serviços jurídicos. Exemplo: cerca de 70% das PMEs com problemas jurídicos não procura um advogado por receio da imprevisibilidade e dos custos."

Não procuram advogado por alguns pontos, quais sejam:

- imagem de alto custo;
- imagem negativa (todo advogado é esperto);
- imagem negativa do poder judiciário;
- processo judicial é lento/moroso;
- distanciamento do judiciário da sociedade;

Se a ideia é dinamizar o mundo jurídico, o faça na ponta correta, qual seja, no judiciário que mesmo com o processo eletrônico, a petição demora meses para ir à conclusão.

Para finalizar, creio que o texto é bom e incentiva a criatividade e inovação, porém, está longe da realidade da advocacia tanto de grande quanto de pequenos escritórios. A problemática jurídica e advocatícia é muito mais profunda e claramente terá neste momento sem uma política que tenha por objetivo a diminuição destes pontos acima, impacto negativo imenso neste setor.

Abraços. continuar lendo

Concordo plenamente. Se permite, faço minhas suas palavras. continuar lendo

Prezado Rafael, parabenizo pelo conteúdo.

Há tempos, um bom e velho amigo, na época um Senhor com seus 78 anos, olhando para o meu celular, antigo 'sapão"(não fazer merchandising da marca), me disse -"isso meu filho é a tecnologia a serviço do homem, aquele que se aventurar será bem sucedido. Acrescentou, não tenha medo do novo e das máquinas, pois o homem estará sempre no controle". continuar lendo

Isso, certamente, enquanto as maquinas não tiverem capacidade de decidir, discordar e agir. Foi-se o tempo em que os computadores eram meras maquinas de calculo ultra-rápidas para a época. Hoje já estão engatinhando na capacidade de ser similar ao humano, mas em breve, brevíssimo talvez, estaremos preocupados em colocar as três leis da robótica tão bem pensadas por Isaac Asimov em Eu, Robô:

1) um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal;
2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei;
3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.

O livro publicado em 2 de dezembro de 1950 antecipa em 75 anos, no máximo, as nossas preocupações futuras. Vale a pena ser lido. continuar lendo

É inevitável o uso da tecnologia para dinamizar o serviço advocatício, porém, esse maior dinamismo só beneficiará os grandes escritórios que atendem demanda de "massificados" de empresas, diminuindo o custo da mão-de-obra que já não é caro, até porque a contratação de advogados não é feito pela CLT.

Inclusive, o artigo é certeiro quando fala das PMEs e vale ressaltar que, um pequeno escritório muito provavelmente não vai ter dinheiro para um investimento desses.

Para finalizar, reitero a inevitável vinda da IA para a advocacia, contudo, faz-se necessário exortar os colegas a não verem com entusiasmo e nem com medo a IA, mas com cautela, ficar "empolgado" com isso é uma tremenda ignorância, até porque nós não sabemos direito o que vai acontecer, mas uma coisa é certa, a vinda da IA só beneficiará uma pequena parcela dos advogados, isto eu não tenho dúvida. continuar lendo